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20 de outubro de 2014

Tenho pensado muito sobre felicidade nos últimos tempos. Ando um pouco angustiada em ver tantas pessoas que não se desprendem das suas correntes e aparentes convicções e não vão em busca da real felicidade porque querem, de alguma forma, satisfazer uma exigência da sociedade ou porque simplesmente estão confortáveis com a vida que estão levando. Tenho visto pessoas em profissões que não se identificam, em faculdades que não tem o menor interesse, em relacionamentos falidos e, tudo isso, por medo de tentarem algo novo. Medo de dizer “Não quero mais”.

Não é fácil. Eu sei que não é. Ficamos divididos entre o coração e a razão. Mas sabe, acho que se pararmos para ouvir de fato, vamos perceber que ambos estão falando a mesma coisa. Não é possível que sua mente diga “continue sendo infeliz”, a diferença é que o coração é mais sonhador, mas a mente também sabe quando não estamos bem, ela também nos mostra que temos que mudar de rumo. Mas insistimos, sabe-se Deus por que, em continuar com algo que não nos satisfaz.

“Não se acostume com o que não te faz feliz”

Dia desses estava no metrô e ouvi dois homens conversando. Um deles estava noivo e estava contando para o amigo das puladas de cerca que ele dá por aí. O amigo então fez a pergunta que eu queria fazer “Cara, por que você ta noivo?” e a resposta foi triste demais “Porque a gente precisa casar um dia. A sociedade pede”. MAS GENTE! Então quer dizer que agora temos que seguir o que a sociedade pede? Cadê nossa vontade nessa história? Cadê nossa felicidade, nossos desejos…. Cadê? Vou casar porque a sociedade pede, ainda que eu não queira e que eu seja infiel para o resto da vida (ou pelo menos enquanto eu quiser me divertir por aí até sossegar). Vou continuar nesse trabalho que me faz mal porque a sociedade me diz que com 30 anos eu não posso me dar ao luxo de me arriscar em algo novo. Vou ter um filho, mesmo eu não estando pronta pra isso, porque a sociedade já já vai questionar o motivo de eu ainda não ser mãe aos 28. Vou me casar com o primeiro que sorrir pra mim porque uma mulher com 32 anos solteira é vista como infeliz e mal amada. É isso? Não, não podemos aceitar que seja assim. Não podemos nos manter em situações que já não queremos mais porque nos é confortável, cômodo… porque estamos conformados ou porque precisamos seguir os padrões da sociedade.

“A vida não pode ser apenas um hábito.”

Katherine Mansfield

Tenho 23 anos. Não sei nada da vida ainda. Mas já tive que tomar algumas decisões importantes em determinados momentos. Sempre quis ser advogada, passei no vestibular, fui morar sozinha, estava tudo como o planejado e no meio do caminho eu percebi que não era aquilo. E, na tentativa de seguir o padrão da tal sociedade, continuei fazendo o que eu não queria. Esqueci de mim mesma, ignorei a minha própria vontade e fiquei doente por isso até perceber que continuar sendo infeliz realmente não valia a pena. Não vale a pena sacrificar quem você é por aquilo que querem que você seja. Precisei dar dois passos para trás para poder continuar caminhando. Voltei pra casa dos meus pais, encarei todos os olhares de reprovação pela minha decisão, fui chamada de louca por várias pessoas que acharam um absurdo eu trocar o Direito por uma profissão tão incerta. Não foi fácil, mas precisei passar por isso tudo para entender que o que importa nessa vida é aquilo que nos faz realmente feliz, é ouvir os nossos desejos, ouvir o nosso coração e fazer com que os sonhos se tornem metas, planos. É tornar algo utópico em algo completamente possível. É achar o caminho, sabe. A lição que tirei disso tudo é que precisamos nos reinventar e seguir em frente, ainda que ninguém nos dê a mão ao longo do caminho.

Ninguém é louco por ir em busca do que quer, ninguém é irresponsável por pedir demissão de um emprego no qual não se sente útil, por largar uma profissão que não ama, ninguém é insensível por deixar para trás um relacionamento de 5 anos que já não provoca sorrisos. Quando percebemos a mudança, algo dentro da gente grita… precisamos nos permitir ainda que ninguém entenda ou apoie. Temos essa mania de cobrar que as pessoas estejam formadas antes dos 25 e que antes dos 30 já tenham um carro, dado entrada no apartamento, casado e estar, pelo menos, pensando no primeiro ou segundo filho e isso é cruel demais.

Liberte-se dessas correntes, esqueça as imposições da sociedade, pare de tentar seguir padrões de comportamento que nada tem a ver com você. Saia da sua zona de conforto. Não existe formula para a felicidade. O que existe é intuição, vontade, liberdade, leveza de ser. Comece a olhar para dentro de você mesmo. Não se acomode, não fique com alguém por comodismo. Tá na hora de se reinventar e dizer “Tô indo ali ser feliz.”

“Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de “pra sempre”. Muitas vezes o “pra sempre” não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar.

Martha Medeiros

(Trecho da crônica Felizes para sempre )

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014.

Será que de certa forma aquela nossa conversa serviu de inspiração para esse texto ou ele já estava pronto e foi pura coincidência? rs


segunda-feira, 27 de outubro de 2014.

O rascunho dele já estava pronto a algum tempo, mas nossa conversa me fez incluir algumas coisas! rs